Você já deu uma umbigada?

Eu sou filho de baiano, lá de Santo Antônio de Jesus. Não posso falar que nunca tinha ido à região, mas é quase isso. Eu nem lembrava da última vez em que havia estado na Bahia, já que eu era praticamente bebê.

No fim de 2014 tive a chance de voltar, para gravar justamente no Recôncavo Baiano, em Cachoeira, a cerca de 120 km de Salvador.

Cachoeira parece ser o tipo de lugar em que o tempo passa devagar. Andando pelas ruas de paralelepípedo, de repente, você cruza com burros carregando mercadorias em cestos de palha. Caminhando pela beira do Paraguaçu, é possível observar cahoeiranos sentados em banquinhos, sob uma árvore, batendo papo calmamente, ou pescadores, em barcos de madeira, jogando a tarrafa para pegar um tucunaré ou uma traíra.

Foto: Fernando Andrade

Pescador aproveita o bom tempo do Recôncavo Baiano para jogar a rede no Rio Paraguaçu, entre as cidades de Cachoeira e São Félix.

A cidade não é histórica, é mais que isso. Eu diria que ela é HISTÓRIA!

Não importa aonde você vá, em Cachoeira, a história está presente.

Para começar, eu não me hospedei em um hotel comum. Nós ficamos em um convento transformado em pousada, a Pousada do Convento.

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Antigo Convento de Nossa Senhora do Carmo, hoje abriga uma pousada.

O prédio é antigo, com tábuas de madeira que rangem conforme você anda. Estátuas de santos e grandes portas de madeira compõem o ambiente, mantendo a originalidade do local. No centro do prédio, que faz parte do Conjunto do Carmo, o pátio conta com um agradável jardim.

Foto: Fernando Andrade

Pátio da Pousada do Convento, com o campanário da Igreja da Ordem Terceira do Carmo

 

Para constar, ainda não vou avaliar a pousada como hóspede, pois ainda estou estabelecendo os critérios que usarei para isso. Depois, quando determinar a forma que eu considerar mais justa, vou fazer postagens específicas de avaliação dos hotéis e pousadas em que já fiquei. Por enquanto, a Pousada do Convento, aqui no blog, é mais um ponto turístico de Cachoeira.

Além do antigo Convento de Nossa Senhora do Carmo, o conjunto, que é tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, conta, ainda, com a Casa de Orações e a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, repleta da mais bela arte barroca.

Foto: Fernando Andrade

O dourado do barroco ornamenta a Igreja da Ordem Terceira do Carmo, em Cachoeira, no Recôncavo Baiano.

 

Como eu falei de tombamento, toda a área em que o conjunto está localizado é tombada. Na verdade, conta até com a sede do IPHAN, no prédio do Museu Regional de Cachoeira, bem de frente para outro prédio histórico: a Casa de Câmara e Cadeia Pública, assim como o Conjunto do Carmo, inaugurada no início do século XVIII.

Foto: Fernando Andrade

Casa de Câmara e Cadeia Pública

 

Em Cachoeira, nada fica muito longe. É possível visitar quase tudo andando, do jeito que eu gosto. A poucos metros dali, na Rua Ana Neri, uma casinha simples abriga mais história. Por mais curioso que seja, por trás da fachada amarela do número 19, está guardado um Patrimônio Imaterial da Humanidade. E quem fala isso não sou eu, é a Unesco, Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura.

Na casa, acontece o Samba de Roda de Dona Dalva, principal representante do gênero. Ao lado do Jongo da Serrinha, o Samba de Roda do Recôncavo Baiano é considerado um dos pais do samba carioca. Se estiver por lá, vale a pena conferir se tem algum samba marcado. Quem sabe, você dá até a sorte de bater um agradável papo com Dona Dalva.

Eu até pensei em colocar foto da casa, mas acho que é mais fácil colocar logo a reportagem que fiz para o Canal Futura. Até porque fotos ilustram muita coisa, mas não seria capaz de retratar a simplicidade e a sabedoria de Doutora do Samba.

Ah! E você vai entender a “umbigada”.

Do outro lado do Rio Paraguaçu, o município de São Félix é ligado a Cachoeira pela Imperial Ponte Dom Pedro II. Nome imponente, né? A ponte foi inaugurada em 1865 e tem o tráfego controlado. Um funcionário fica em cada cidade, segurando o trânsito, que tem mão alternada. O ferro e os lastros de madeira usados na estrutura da ponte foram importados da Inglaterra e, na época, foi considerada uma das maiores obras de engenharia da América do Sul.

Foto: Fernando Andrade

A Imperial Ponte Dom Pedro II é a ligação entre as cidades de Cachoeira e São Félix

 

Na verdade, uma coisa que eu pude perceber andando por Cachoeira é que os cidadãos são muito orgulhosos de toda a história do lugar. Além de tudo isso que eu falei, se você parar para conversar com um cachoeirano, ele vai ter falar sobre Ana Néri, sobre a importância da cidade na Independência do Brasil, na economia baiana, entre muitas outras coisas.

Infelizmente, o tempo foi curto, já que eu estava trabalhando, então não deu para conhecer tudo.

Mas, antes de encerrar, não posso deixar de passar uma fica que eu recebi. Vá comer no Restaurante do Zé Miudo. Durante o dia, no andar de cima, funciona um buffet de comida a quilo, com boa qualidade e um preço bacana. Agora, à noite,  só a parte de baixo fica aberta. Com mesas e cadeiras espalhadas pela praça, vai gente de longe para comer o filé! Não acompanha muita coisa, só farofa e rodelas de tomate, mas a carne é excelente! Carne macia, bem temperada, numa porção para duas pessoas comerem bem e pagando um preço bem justo. Com refrigerante, acho que não chegou a 20 reais.

Dica de foto:
Na postagem sobre Peulla, eu falei sobre os efeitos das fotos que levam um tempo maior para ser registradas, certo? Aqui, eu usei o contrário.

Na foto da ponte, eu estava em um carro em movimento, então tive que usar um obturador bem rápido, para congelar a imagem, evitando que ficasse tremida.

Boa parte das câmeras digitais oferecem a opção “esporte”, com um boneco correndo. Essa função é justamente para fotos em movimento, mais rápidas.