Nova York Para os Duros – Coney Island

Eu ia falar sobre Bogotá, o post já está até pronto, mas resolvi deixar um pouco mais para frente.

Além de manter a sequência de dicas de atrações de Nova York para quem não tem dinheiro, como eu, ontem foi um dia especial. Especial para quem curte beisebol, pelo menos. E eu sou maluco pelo “passatempo americano”.

Depois eu explico o motivo de ser um dia especial.

Foto: Fernando Andrade

Com seus pilares e arcos de ferro, a estação Coney Island / Stillwell Av é a última estação das linhas D,F, N e Q.

Muita gente já ouviu falar em Coney Island, mas a maioria nunca se deu ao trabalho de pegar o metrô e ir até lá. A viagem é muito fácil de fazer, mas é demorada. De Manhattan, você pega qualquer trem das linhas D, F, N ou Q, obviamente, pergunte qual a plataforma para quem vai ao Brooklyn, para não ir na direção errada. Depois de entrar no trem, pode sentar e relaxar, que vai levar quase uma hora.

Não tem erro, na hora de descer. É só sair na estação final: Coney Island / Stillwell Av.

Coney Island, apesar do nome, não é uma ilha. Até já foi, mas foi transformada em uma península em 1962, quando usaram o resto de material de construção de uma ponte para aterrar o córrego que separava Coney Island do resto do Brooklyn.

Foto: Fernando Andrade

Nathan’s, em Coney Island, é o local de criação de um dos lanches mais populares do mundo: o cachorro-quente.

Logo que você sair da estação, a primeira atração de Coney Island vai estar do outro lado da Surf Ave (muitas vias de lá têm nomes relacionados ao mar: Surf Ave, Mermeid Ave, Neptune Ave, etc.), o Nathan’s!

A lanchonete Nathan’s é o local de criação do cachorro-quente. Sim! Foi lá que tiveram a ideia, há 99 anos, de juntar salsicha e pão. Por causa disso, em alguns lugares dos Estados Unidos, o cachorro-quente, em suas variações, é chamado de “Coney”.

O Nathan’s, hoje, é uma rede de fast food, com lojas em diversos lugares, como shoppings e aeroportos. Suas “frankfurters”, ou “franks” (salsichas), estão entre as melhores do mundo e são encontradas até em parques de diversões, como os da Universal Studios, em Orlando. Apesar de tudo isso, se tiver fome, coma lá, onde tudo começou!

Foto: Fernando Andrade

Chili cheese dog, cachorro-quente e limonada do Nathan’s, em funcionamento desde 1916.

Eles servem frutos-do-mar, sanduíches de frango e outras coisas, mas eu sou um cara tradicional! Então, fui com esse cardápio aí de cima: chili cheese dog, hot dog com mostarda e limonada.

Ah! Se por acaso estiver por lá em 4 de julho, dia da independência americana, rola o principal campeonato de comer cachorro-quente do mundo! Rola até uma Parede da Fama com os recordes e fotos dos principais glutões.

Foto: Fernando Andrade

Durante a temporada de verão, os visitantes encontram atrações tradicionais de parques de diversões, como roda-gigante e montanha-russa.

Logo atrás do Nathan’s, tem um parque de diversões. Não posso falar muito sobre isso, já que as atrações só estão abertas em alta temporada, então não peguei em funcionamento. O que eu sei é que não é no esquema dos grandes parques de Orlando, em que você paga a entrada e anda quantas vezes quiser, nos brinquedos que quiser. São cerca de 50 atrações independentes, com ingressos e valores diferentes para cada uma delas.

Outra atração de Coney Island que eu não fui é o Aquário de Nova York. O ingresso, se for comprado na hora, custa cerca de 12 dólares. Não é caro, mas eu já vou sempre ao Sea World, então não quis ir.

Foto: Fernando Andrade

Boardwalk de Coney Island, o calçadão de madeira se estende entre a praia e atrações como parques de diversões, restaurantes e o estádio de beisebol MCU Park.

Voltando a falar de lugares em que eu fui, caminhar pelo boardwalk é uma daquelas coisas que te dão a sensação de estar em um filme.  A praia de um lado, o parque de diversões do outro.

Ao longo do calçadão de madeira do boardwalk, pavilhões cobertos com banheiros, mesas e bancos para piquenique e outros serviços que fornecem conforto aos visitantes.

Pelas fotos, vocês percebem que estava frio, então não tinha gente na praia em nenhuma das duas vezes em que estive lá, mas os novaiorquinos frequentam a praia de Coney Island durante os dias quentes de verão.

Foto: Fernando Andrade

Mesmo nos dias mais frios, turistas e novaiorquinos frequentam o pier de Coney Island.

Do boardwalk, você consegue acessar o pier, que é muito utilizado por turistas e novaiorquinos, mesmo nos dias mais frios. Eu estive lá em momentos diferentes, vendo públicos diferentes.

Na primeira vez, em 2012, fui de dia. O local tinha muitos turistas e moradores da área, que usam a estrutura para uma caminhada ou uma corrida, com ar fresco e bela vista, muito parecido com o que acontece em Copacabana ou Ipanema, no Rio, ou em outros calçadões que margeiam as praias brasileiras.

Na segunda vez,  em janeiro desse ano, chegamos lá no fim do dia. Ainda tinha gente passeando e fazendo exercícios, mas a quantidade era muito menor, talvez por causa da temperatura. O que chamou a atenção foi a quantidade de pessoas que estavam pescando lá.

Não conheço a qualidade da água e nem sei se servem isso em restaurantes da cidade, mas, se eu puder te dar uma dica, evite qualquer coisa com peixe servida nos restaurantes de Chinatown. Boa parte dos pescadores tinham os olhos meio puxados.

Saindo do boardwalk, também bem pertinho do pier, você encontra o MCU Park, estádio de beisebol dos Brooklyn Cyclones, equipe das ligas menores, que pertence ao New York Mets. Eu não consegui, pois estava fora de temporada, mas pode ser uma opção boa, se você curte ou quiser conhecer o beisebol e não quiser pagar muito. Os ingressos são bem mais em conta que os da MLB e você ainda pode estar assistindo a algum futuro astro, já que os times de ligas menores servem como equipes de base para as equipes da Major League Baseball.

De repente, rola até uma “Subway Series” dos pobres das bases, entre Brooklyn Cyclones (NY Mets) e Staten Island Yankees (NY Yankees).

Foto: Fernando Andrade

Painel em homenagem aos oficiais do Brooklyn que morreram em resgate após o atentado de 11 de setembro de 2001.

Nas paredes externas do MCU Park, uma cena que se repete em muitas vizinhanças ao redor de Manhattan. Painéis homenageiam os mortos durante os atentados terroristas de 11 de setembro de 2001. Na foto acima, os oficiais do Brooklyn que morreram em missão de resgate, mas também há painel em honra a civis.

Então… Falei que foi um dia especial, né? Vamos à explicação! Ontem foi dia 15 de abril: “Jackie Robinson Day”! Esse é um dia muito especial para todos os que jogam beisebol, como eu.

Jackie Robinson, em 15 de abril de 1947, derrubou barreiras ao atuar pelos Brooklyn Dodgers. Ele é considerado o primeiro jogador negro a atuar pelas grandes ligas. Não é bem assim, já que o primeiro jogador negro atuando por uma equipe das “Major Leagues” foi Moses Fleetwood Walker, em 1884, atuando como receptor do Toledo Blue Stockings, da extinta Associação Americana de Beisebol, uma das duas grandes ligas da época, ao lado da Liga Nacional. E Moses ainda teve a companhia do irmão, Welday Walker.

Foto: Fernando Andrade

Em cena eternizada pelo filme “42”, Pee Wee Reese abraça Jackie Robinson.

Entretanto, não estou aqui para dar aula de história do beisebol, apesar de a importância desse cara da foto ser justamente essa.

Todo dia 15 de abril, a Major League Baseball celebra o Jackie Robinson Day, como uma forma de honrar aquele que teve a coragem de enfrentar tudo e todos, para acabar com a segregação racial no beisebol. O número de Jackie foi aposentado de todos os times, sendo utilizado só nesse dia, por TODOS os jogadores.

Se ainda não viu, recomendo que assista o filme “42”, que conta um pouco de tudo o que foi vivido por Robinson.

Só para que entendam a importância disso, estamos falando de uma época em que havia uma liga separada, a Negro League, já que, mesmo sem respaldo legal, havia um “acordo de cavalheiros”, entre os donos dos times, de que nenhuma equipe da MLB contrataria um jogador negro.

Em tempo, a estátua fica ao lado do MCU Park e retrata uma cena que ficou imortalizada, quando o capitão dos Dodgers Pee Wee Reese mostra seu apoio a Jackie Robinson, abraçando o companheiro de equipe antes de uma partida. O Ebbets Field, antigo campo dos Dodgers não existe mais, foi demolido na década de 60, para dar lugar a um prédio de apartamentos. E os próprios Dodgers já estão bem longe, em Los Angeles.

Sendo assim, a estátua fica onde deveria, nessa situação: ao lado do estádio que abriga a principal equipe do Brooklyn, mesmo que seja das ligas menores.