Poucas horas em Bogotá

Quando fui a Nova York em 2012, peguei uma boa promoção da Avianca, mas ela tinha um “problema”, uma espera de 10 horas em Bogotá.

Merda, né? Bom. Para mim, não foi. Peguei um busão e fui conhecer o centro de capital colombiana.

Para deixar claro, não estou sugerindo que você faça o mesmo. Estou sugerindo que você faça o mesmo, SE tiver confiança em fazer algo do gênero. É bom deixar isso claro, para ninguém me culpar depois, falando que perdeu o voo.

Dito isso, vamos lá!

Eu cheguei ao aeroporto por volta de uma da tarde, com o voo para NY saindo por volta das 23h. Como eu não precisei pegar bagagem, fiquei tranquilo para andar só com uma mochila.

Foto: Fernando Andrade

Artista de rua interpreta soldado de brinquedo em frente ao Museu da Independência.

Evitem carregar muito peso, quando planejarem algo do tipo. Pode parecer uma dica idiota, mas sempre tem alguém que acha que é forte pra cacete! Outra coisa, Bogotá é a terceira capital mais alta do mundo, 2.640 metros acima do nível do mar. Isso significa que o ar é mais rarefeito, lembra das aulas do primeiro grau? Com o ar mais rarefeito, você vai se cansar mais rápido. Então, mais uma vez, não seja burro! Evite peso!

O sistema de transporte público de Bogotá é inspirado no de Curitiba, com linhas de ônibus integradas. Então, se quiser pagar pouco, você pode pegar um busão. Caso esteja disposto a gastar mais, vá de táxi mesmo. Eu sou duro, fui de ônibus.

Foto: Fernando Andrade

Estátua de Simon Bolívar no Parque de Los Periodistas, centro de Bogotá.

As rotas dos ônibus estão disponíveis no site da Transmilenio, em inglês e espanhol. Eu planejei a minha viagem saindo do Aeroporto Internacional El Dorado até a Estação Museo del Oro, bem no centro histórico de Bogotá.

Depois de descer na estação, que fica na Calle 15 (Rua 15), caminhei até o Parque de Los Periodistas, onde fica uma estátua de Simon Bolívar. Na verdade, como jornalista, eu fui só por causa do nome do parque mesmo, Parque dos Jornalistas.

No parque, que parece mais uma praça, não tem muita coisa. Me lembrou muito o Rio, para falar a verdade, com muita pichação, inclusive no local onde fica a estátua do Bolívar e pouca conservação.

Foto: Fernando Andrade

Palácio e Igreja de San Francisco, na Calle 15.

Andar pelo centro de Bogotá é bem tranquilo. A exemplo de Nova York, as ruas e avenidas, em geral, são numeradas em ordem progressiva. Ou seja, depois da Calle 5, vem a Calle 6, seguida pela Calle 7. Também como acontece em Manhattan, as calles (ruas) são paralelas e cortadas transversalmente pelas Carreras (avenidas).

Do Parque de Los Periodistas, subi a Calle 16 até a Igreja de La Tercera, na esquina com a Carrera 7. No meio do caminho, na Calle 16, tem o Museu do Ouro, que dizem ser ótimo, mas que eu não visitei. Como eu tinha algumas horas, optei por só entrar em algum museu depois de ver todo os pontos turísticos.

Na Carrera 7, três igrejas estão praticamente coladas: La Tercera, de La Veracruz e de San Francisco. Eu confesso que tenho uma queda por igrejas antigas, então não poderia ter escolhido caminho melhor.

Anexo à Igreja de San Francisco, está o Palácio de San Francisco. A igreja foi inaugurada no Século XVI, mas passou por muitas obras depois disso, por causa do tempo e do terremoto. Já o palácio, que tomou lugar do claustro dos religiosos, após uma desapropriação, é mais recente, de 1918.

Não consegui entrar na Igreja de Veracruz, mas as outras duas são bem contrastantes. Enquanto “La Tercera” é mais humilde, com esculturas em madeira e um ambiente mais discreto, “San Francisco” carrega nos detalhes em ouro.

Foto: Fernando Andrade

O poder da Igreja, representado na Plaza de Bolívar: Catedral Primaz da Colômbia e Palácio Episcopal

Seguindo na Carrera 7, você chega à Plaza de Bolívar, ou Praça de Bolívar. Normalmente, eu sou um ímã de malucos, mas nessa acabei conhecendo um velhinho que era historiador e me deu uma aula rápida sobre a região. Não que eu lembre muita coisa, mas lembro que a Plaza de Bolívar, segundo ele, é o centro dos poderes de Bogotá. Os quatros lados trazem:
– Poder eclesiástico: Catedral Primaz da Colômbia e Palácio Episcopal;
– poder executivo: Prefeitura de Bogotá;
– poder legislativo: Capitólio Nacional, o Congresso;
– poder judiciário: Palácio da Justiça.

Eu não consegui tirar foto dentro da Catedral, pois estava fechada. Pois é… Acabei de ver, nessa foto aí de cima, que ela abriu depois. Me ferrei nessa.

A praça também tem outras coisas: pedintes, pombos e lhamas. na verdade, acho que a lhama também estava lá pedindo dinheiro. Sério! Era muita gente pedindo. Veio uma senhora pedir o meu nome e de onde eu era, para colocar nas orações da catedral, pois ela era integrante da “ordem religiosa”. Depois que eu eu falei, ela me pediu um dinheiro para ajudar “las abuelitas”. Nunca vi um povo tão caridoso! Era muita gente pedindo dinheiro para ajudar os outros! Eram vovozinhas, enfermos, famintos, … Era tanta gente pedindo “pelos outros”, que eu fiquei até na dúvida se a Colômbia tinha alguém que não estivesse passando dificuldade. Acho que só sobravam os que estavam ali, fazendo o sacrifício de pedir por eles.

Como eu também estava faminto, guardei meu dinheiro para matar a minha fome.

Foto: Fernando Andrade

Fundo do Capitólio Nacional, principal órgão do Poder Legislativo da Colômbia.

Seguindo pela Carrera 7, chegamos à parte de trás do Capitólio, o Pátio Rafael Nuñez, que liga o congresso nacional à Casa de Nariño, o Palácio Presidencial.

Antes de seguir para a Casa de Nariño, quando eu estava passando pela Calle 8, vi um prédio que me chamou muito a atenção. A construção, em listras brancas e vermelhas, é da Igreja de Nossa Senhora do Carmo (Iglesia de Nuestra Señora del Carmen).

Foto: Fernando Andrade

Igreja de Nossa Senhora do Carmo, na esquina da Calle 8 com Carrera 5.

A igreja era muito bonita, com estilo predominantemente gótico, é linda por fora e por dentro, mas eu só sei disso por ter ficado curioso e procurado depois na internet, já que ela também estava fechada. Anexo a ela, há uma escola católica, o Colégio Salesiano de León XIII, com uma construção que combina com a da igreja.

Apesar de não conseguir entrar, não foi um desperdício subir a Calle 8, já que a rua tem muitas casas antigas e bem preservadas, algo bem parecido com o Pelourinho, tirando-se as devidas proporções, obviamente. Eu não entrei, mas rola um museu arqueológico, a Casa Republicana e mais algumas construções legais.

Mas o mais legal do meu passeio pela Calle 8 foi entrar em uma simples porta. Não lembro o número, mas você vai achar fácil, se não tiverem fechado. Além do cheiro bom, tem um cartaz na frente “Arepas Rellenas La Brasa”.

Foto: Fernando Andrade

O mais tradicional lanche colombiano, a arepa é uma opção rápida e barata, para quem não quer perder muito tempo de passeio.

A arepa é um sanduíche feito em um pão de farinha de milho e assado, nesse local isso é feito na brasa, ou grelhado em uma chapa, com diversos tipos de recheio. Eu fui com arepa de pollo (frango), mas também tinha de carne, queijo, linguiça, um negócio que acho que era abacate, etc.

Foto: Fernando Andrade

Uma combinação típica da Colômbia: arepa com Colombiana.

Não lembro o valor exato, mas acho que essa combinação da foto não deu nem o equivalente a uns R$ 5,00. E a foto não ajuda muito, mas era muito bem recheada.

Eu acho que a comida representa muito da cultura local. E a arepa, segundo a Academia Colombiana de Gastronomia, é um símbolo de união gastronômica nacional.

Quando os espanhóis chegaram, a arepa já era consumida pelos nativos de Colômbia, Venezuela e Panamá.

Para beber, “una gaseosa la Colombiana”! É o refrigerante local de cola. Eles até tinham marcas internacionais mais tradicionais, mas vamos provar o “da casa”.

Se tiver que dar nota, vou falar que foi uma refeição nota 8,5, por um preço de menos de R$ 5,00.

Voltando a andar, já feliz por estar de barriga cheio, coisa fundamental quem é gordo que nem eu, cheguei mais uma vez à Carrera 7, dessa vez, já de cara para a Casa de Nariño!

Apesar da segurança, nas proximidades do Palácio de nariño, turistas e colombianos encontram clima de cordialidade.

Apesar da segurança, nas proximidades da Casa de Nariño, turistas e colombianos encontram clima de cordialidade.

Uma coisa que me chamou muito a atenção é a proximidade do público, das pessoas comuns. É claro que há segurança, com cercas e locais restritos, mas não falo só de proximidade física, apesar de paredes do palácio margearem as calçadas, mas há um clima amistoso.

Se tiver coragem, rola até de tirar foto com meu amigo da foto também!

Ah! Para constar, você pode encontrar informações sobre “Casa de Nariño” e “Palácio de Nariño”, mas eu tenho até foto de uma plana, na entrada do prédio, como Casa de Nariño, então escolhi essa opção.

Foto: Fernando Andrade

Soldado aguarda o início da cerimônia de troca da Guarda Presidencial.

Eu também dei muita sorte com o dia em que estive lá em Bogotá. Não que o dia estivesse lindo, com céu azulado ou algo assim. Pelo contrário, estava bem feio e nublado.

Mas é que eu estive lá numa sexta-feira. Toda segunda, quarta, sexta e domingo, às quatro e meia da tarde, rola a cerimônia de troca da Guarda Presidencial, com desfile dos soldados com direito a banda marcial. E eles não tocam só músicas tradicionais militares, também rolam algumas versões de músicas da moda.

Depois do desfile, subi pela Carrera 8, que é aberta aos pedestres, apesar dos guardas e do esquema de segurança na entrada.

No meio do caminho, ainda fiz uma parada ou outra, para tirar fotos, como aquela em que estou com o cachorro. Pela via, ainda tem alguns museus, mas eu passei direto, pois quis visitar um na Calle 9, o Museu da Polícia Nacional.

Foto: Fernando Andrade

No Museu da Polícia Nacional, armas e fardas mostram um pouco da história da força policial da Colômbia.

Como jornalista, tenho muito interesse por assuntos de segurança pública. Com o histórico do país do combate aos cartéis e ao narcotráfico, achei que encontraria artigos, fotos e outras coisas relacionadas a isso, mas não achei. Não posso falar que não tinha, mas eu não vi. Quando cheguei ao museu, ele já estava quase fechando. Só vi umas fardas, umas armas antigas e réplicas em escala de veículos usados pela polícia.

Como eu falei, o desfile começou às 16:30, com meu voo marcado para 23h. Mesmo no Brasil, eu sempre me programo para chegar ao aeroporto com quatro horas de antecedência, para evitar qualquer surpresa. Então, voltei à Carrera 8 fui andando calmamente em direção até a estação Museo del Oro do Transmilenio.

No meio do caminho, ainda deu tempo de mais uma parada rápida, na mesma Carrera 8, para uma rápida olhada no museu da Igreja de Santa Clara, construída em 1647. Quando eu fui, o prédio estava passando por um serviço de restauração, mas ainda deu para ver bastante coisa.

Por fora, uma construção de pedra, que parece destoar do tempo em que vivemos, mais destoante, inclusive, que outros prédios históricos da região. Do lado de dentro, as paredes, vermelhas com o dourado típico da arte barroca, exibem vários quadros de obras sacras que vão do século XVII ao XX.

Foto: Fernando Andrade

No altar de Igreja de Santa Clara, esculturas de santos do período barroco.

No altar, esculturas de santos dividem espaço com mais detalhes em dourado do período barroco.

Falei muito de barroco, né? É que a Igreja de Santa Clara é considerada a principal coleção barroca de Bogotá.

Uma curiosidade sobre o prédio, ele ainda possui um auditório fechado, de onde freiras assistiam à missa sem serem vistas. Além da igreja, o prédio abrigava o Convento de Santa Clara.

Como parte da tradição da clausura a que se submetiam, elas não só eram proibidas de se juntarem aos outros fiéis durante a cerimônia, como também não deveriam ser vistas por eles. Dessa forma, na parte superior do fundo da igreja, “varandas” com hastes entrelaçadas de madeira permitiam que elas pudessem assistir à missa, mas também que se mantivessem “invisíveis”.

Depois dessa visita e dessa aulinha de história, termino de subir a Carrera 8 até a Calle 15, pego o Transmilenio e sigo meu caminho de volta ao aeroporto.

Se eu te indico a fazer o mesmo? Mais uma vez, só se você sentir segurança para isso.

Se eu faria novamente? Com toda certeza!

Dica de foto:
1 – Na foto foto da Igreja de Nossa Senhora do Carmo, a listrada, eu aumentei as sombras e o contraste no computador, para compensar a falta de qualidade e nitidez da câmera do iPod antigo.

2 – Na foto do altar da Igreja de Santa Clara, coloquei um pouco mais de “Luz de Preenchimento”, pois a foto original ficou escura demais.

Para usar os dois recursos, você não precisa de Photoshop ou nenhum programa caro e difícil de mexer. Como a minha ideia é facilitar a sua vida, te indico o Picasa, que é grátis e bem intuitivo.