Pode chamar de St. Pete.

Apesar de xarás, por favor, não confundir com a cidade russa de St. Petersburg, que, apesar de ter muita vontade, ainda não tive a oportunidade de conhecer.

A julgar pela fama da Rússia, eu diria que a versão americana é bem mais quente e ensolarada, localizada à beira da famosa Tampa Bay, a Baía de Tampa.

A cidade, oficialmente se chama St. Petersburg, (São Petersburgo, em português), mas muita gente chama é de St. Pete mesmo! Bem mais fácil que ter que enrolar a língua para pronunciar esse “RS” no meio do nome!

Os pelicanos são os moradores mais comuns de St. Petersburg.

Os pelicanos são os moradores mais comuns de St. Petersburg.

A primeira vez que eu fui a St. Pete, foi em 2006, quando eu morei em Orlando. Eu ia assistir um jogo de beisebol (tema da próxima postagem, por sinal), então eu e alguns amigos decidimos ir mais cedo e dar uma passeada pela cidade.

O engraçado é que parece que vai ser tudo muito rápido, que tem pouca coisa para ver, mas é o tipo de cidade que te faz desacelerar. Só de caminhar pela beira da baía, ver os barcos, ver o píer.

Possivelmente, você já ouviu que a Flórida é um estado de aposentados. Tradicionalmente, os americanos ganham dinheiro no norte do país e, quando se aposentam, escapam para o sul, que é mais quente. E St. Pete não foge à tradição. Há uma quantidade enorme de idosos na cidade, o que a torna ainda mais agradável.

Foto: Débora Andrade

Do lado de fora do Museu de História de St. Petersburg, o vendedor de jornais relembra a história do principal jornal da cidade, o St. Petersburg Times (atualmente, Tampa Bay Times), fundado em 1884 e ganhador de 10 prêmios Pulitzer.

Uma atração que eu gosto bastante é o Museu de História de St. Petersburg, localizado na saída do Pier, número 335 da 2nd Ave NE. O museu nem é tão grande, mas vale uma visitinha. Ainda mais agora, que eles têm a maior coleção de bolinhas de beisebol autografadas do mundo!

Provavelmente, a coleção não quer dizer nada para você, mas eu curto beisebol e coleciono bolinhas. Quando fomos ao museu pela última vez, em 2013, a ideia era fazer uma visita rápida, até por querermos conhecer o museu de Salvador Dali, mas não deu. As bolinhas ainda nem estavam no setor em que ficam hoje, estavam estocadas em uma sala com acesso restrito, mas recebemos uma visita guiada pelo responsável pelo museu, mais um desses velhinhos simpáticos que se aposentam e mudam para a Flórida.

Foto: Débora Andrade

Tour VIP pela maior coleção de bolinhas de beisebol autografadas do mundo.

Ele ficou surpreso com o meu conhecimento de beisebol, já que eu ia traduzindo algumas coisas e contando estórias do esporte para a minha irmã. E ficou mais surpreso ainda, obviamente, quando eu disse que era jogador de beisebol aqui no Brasil. Depois dessa, ele não pensou duas vezes e nos deu esse tour.

Foto: Fernando Andrade

Joe “Shoeless” Jackson integrou o time do Chicago White Sox que ficou marcado por um dos maiores escândalos de corrupção da história do beisebol profissional.

Para os amantes do beisebol, é muito bom ver autógrafos como de Jackie Robinson, considerado o primeiro negro a jogar nas grandes ligas (apesar de ser o terceiro), e Joe “Shoeless” Jackson, que esteve envolvido no maior escândalo de corrupção do beisebol americano. Ele fazia parte do time do Chicago White Sox de 1919, em que um grupo de jogadores recebeu dinheiro para entregar a World Series (final do campeonato). Joe, que era praticamente analfabeto, admitiu ter recebido um grana, mas sempre negou ter entregue o jogo. Ele dizia que quiseram dar um dinheiro a ele, então ele pegou, mas que jogou como sempre. Na verdade, os números dele nas finais foram melhores que durante o resto da temporada, mas ele foi considerado culpado da mesma forma, sendo banido do esporte, junto com outros companheiros de equipe.

O mais legal sobre a coleção é que não são só bolinhas autografadas por jogadores de beisebol. O dono da coleção (ela está cedida ao museu, mas tem um dono) passou décadas colhendo assinaturas de diversas personalidades. Então, você vai encontrar grandes beisebolistas, como Babe Ruth e Mickey Mantle, mas também encontrará políticos, como Fidel Castro e Barack Obama, ou artistas, como Marillyn Monroe e Elvis Presley, além de atletas de outras modalidades, como Michael Jordan (basquete)  e Lance Armstrong (ciclismo).

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Além da nova área dedicada às bolinhas de beisebol, outra coisa que se destaca é o setor dedicado à aviação. Incluindo uma réplica em tamanho real do Benoist XIV, o primeiro avião do mundo a realizar serviço de linhas aéreas comerciais. Era um biplano anfíbio, que fazia o trajeto entre St. Petersburg e Tampa. Pela distância, era quase um táxi.

No fundo desse mesmo setor, um painel com referência a grandes linhas aéreas que fizeram a história da aviação comercial mundial, incluindo empresas já extintas, como a grandiosa Pan Am e a brasileiríssima Varig.

Foto: Fernando Andrade

Réplica do primeiro avião do mundo a fazer transporte comercial de passageiros.

Na verdade, tirando essas duas áreas, o museu não é tão grande assim e é, interessantemente, bagunçado. Talvez, seja por isso que eu goste tanto de lá, faz com que eu me sinta em casa. Sério! Quem me conhece sabe o quanto eu sou desorganizado.

O Museu de História de St. Petersburg tem, praticamente misturados: osso de mastodonte, múmias, artigos sobre o time local de beisebol (Tampa Bay Rays), bezerro de duas cabeças e oito patas, objetos que relembram a história da cidade.

Osso de mastodonte, parente dos mamutes, no acervo do museu de St. Pete.

Osso de mastodonte, parente dos mamutes, no acervo do museu de St. Pete.

A sensação é que é muita coisa junta, mas é bem legal! O ingresso para o museu custa 15 dólares, mas, pelo transtorno da obra, acabamos pagando oito doletas. Tudo bem, eles ainda tiraram mais uns 20 dólares de mim, porque eu comprei uma camiseta.

Pior que eu paguei 25 cents no Metropolitan e no Museu de História Natural, em Nova York. Enfim…

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O Pier, que era uma das grandes atrações turísticas da cidade,  fechou em maio de 2013. Honestamente, eu até critico muito algumas coisas que acontecem no Brasil, sobre falta de preservação de patrimônio, sempre dando os EUA como exemplo a ser seguido e tal. Dessa vez, parece que eles é que seguiram o nosso. Sob protesto de muitos cidadãos de St. Pete, a pirâmide invertida vai ser demolida.

O conceito do novo píer, por sinal, foi aprovado há poucos dias, na sexta-feira, 8 de maio. Tudo bem que vai ficar mais moderno, funcional, com muitas opções novas de lazer, com pedalinho, com restaurantes novos, com lounge de frente para a baía, com área verde, com área destinada à educação ambiental, com um conceito de parque urbano e com mais uma porrada de coisa foda que o antigo não tinha, mas… Ok, não tenho nenhum outro argumento, a não ser que eu já conhecia o outro.

Foi legal andar por lanchonetes, lojinhas e pelicanos. Sentar num banco e ficar lá tomando um sorvete, enquanto você aprecia a vista da baía de Tampa. Mas vou ter que conhecer o novo também.

Foto: Fernando Andrade

Para aumentar a saudade, o antigo Píer, visto da Bayshore Drive.

Na Bayshore Drive, além do Straub Park, com um museu de artes, você pode contratar um passeio de charrete, no estilo daquelas do Central Park, em NYC. Talvez, não tão longo, mas a vista compensa.

Paralela à Bayshore Drive, a Beach Drive oferece uma boa variedade de restaurantes, cafés e sorveterias. No geral, são carinhos, mas você pode encontrar algo que te agrade, por um preço que não te faça falta. Confesso que só tomei um sorvete, pois comeria no jogo de beisebol.

Foto: Fernando Andrade

Barcos também fazem parte da vista de quem caminha pela Bay Shore Drive.

Enfim, St. Pete é um daqueles passeios agradáveis, para uma viagem que não esteja com a agenda tão apertada.

Ah! St. Pete tem o museu de Salvador Dali, um dos maiores do mundo dedicados a ele, mas ficou ele dali e eu daqui, sem nos encontrarmos. A piadinha foi muito escrota, mas o blog é meu e eu já fiz mesmo!

Na verdade, não deu tempo. Na primeira vez, chegamos meio tarde à cidade, planejamos mal. Na segunda vez, consegui o tour VIP pela coleção de bolinhas de beisebol autografadas, então, honestamente, foi uma oportunidade surreal demais para eu perder. Sacaram? Oportunidade surreal; Dali, mestre do surrealismo… Foi uma merda também, né? Vida que segue…

Enfim, não fui ao Museu de Salvador Dali, mas é que tem que sobrar alguma coisa por fazer, para que eu volte depois. Se você quiser visitar, fica perto dali do píer (não resisti), no número 1 da Dali Boulevard, com ingressos a 24 dólares. Eu tenho certeza que deve ser do cacete e você vai gostar. Dá próxima vez, juro que vou me esforçar mais para visitar.

Para fechar… Vocês viram que eu me empolgo, quando começo a falar de beisebol, né? No post sobre Coney Island também já foi assim. Então, o próximo vai ser só sobre beisebol! É a primeira postagem de uma trilogia que fala sobre assistir esportes profissionais nos EUA. Vou falar dos três que eu vi: MLB, NHL e NBA, contando todos os detalhes de cada experiência!