Esportes – Parte 1 – Take me out to the ball game!

Depois de encher o saco de vocês contando estórias de beisebol nas postagens sobre Coney Island (com Jackie Robinson) e sobre St. Petersburg (Joe “Shoeless” Jackson), agora o post é só sobre o passatempo americano! Na verdade, é sobre a experiência de assistir um jogo de beisebol da liga profissional, a MLB.

Isso até poderia ter sido no post sobre St. Pete mesmo, já que o estádio fica lá, mas eu acho que assistir esportes no estádio é uma experiência à parte.

Ah! Como você deve ter percebido pelo título, essa é mais uma série. Depois do beisebol, vem NBA (basquete) e NHL (hóquei no gelo).

Foto: Débora Andrade

Cuidado na hora de pegar seu assento as fileiras “V”, lá na frente, e “VV”, nos fundos, são bem diferentes. Apesar do equívoco inicial, valeu a pena a minha irmã ter errado de lugar, pois ela conseguiu tirar essa bela panorâmica com o iPhone dela.

Uma coisa que você tem que prestar muita atenção é no seu assento. Ao contrário do acontece nos estádios brasileiros, lá os lugares são marcados e respeitados. Isso não significa que ninguém vá tentar sentar no seu lugar super bom, mesmo tendo comprado um lá atrás, mas significa que, ao você chegar, a pessoa vai se retirar sem nenhuma discussão.

Ainda sobre o lugar marcado no seu ingresso, observe que depois de “Z”, as letras dobram conforme as fileiras se afastam do campo. Sendo assim,  fique ligado, pois você pode comprar um lugar na fileira “V”, que no setor que eu fiquei é a segunda, e a sua irmã te guiar ao “VV”, a penúltima.

Foto: Fernando Andrade

Yankees rebatem contra o time da casa, os Tampa Bay Rays, em jogo realizado no Tropicana Field, em St. Petersburg.

Uma das melhores coisas de ver um jogo nos Estados Unidos é a segurança. Eu moro perto do Maracanã e sempre achei uma vergonha ter que me preocupar em usar a camisa do Vasco em um dia de jogo do Flamengo.

Lá, eu usei meu boné dos Yankees, time pelo qual torço, tranquilamente, sentado ao lado de torcedores dos Rays, o time da casa. Ao meu lado, na fileira da frente, um torcedor dos Red Sox, maior rival dos Yankees, com a camisa do time dele, assistindo a partida de duas outras equipes, sem que ninguém o perturbasse. Sabe o que é isso? Nem é educação, é evolução! Sem querer criar qualquer polêmica, me envergonha ver o quanto nós somos atrasados! Me envergonha o fato de já ter visto um pai, vestido com a camisa do Flamengo, apanhar da “torcida” do time que eu torço, enquanto tentava proteger dois filhos pequenos. Ou cenas que ainda se repetem de brigas e mortes, dentro e fora de estádios brasileiros.

Desculpem o desabafo, mas é que eu já perdi as esperanças de um dia sentar ao lado da minha família, predominantemente rubro-negra, para ver um Vasco e Flamengo, sem ter que pagar mais caro por um setor misto.

Enfim, deixar os estádios brasileiros de lado e voltar ao Tropicana Field, casa dos Tampa Bay Rays, na belíssima cidade de St. Petersburg.

Além de lugares marcados e confortáveis, uma coisa muito legal é que você tem comida de qualidade nos estádios. Pizza da Papa John’s, Outback (esse mesmo que pegamos duas horas de fila para comer aqui no Brasil), restaurantes “a la carte”, como gostam os mais velhos, e a principal das “ballpark foods”: cachorro-quente! Só para constar, no Yankee Stadium, em NY, tem Hard Rock Cafe! Mas o estádio dos Yankees será assunto de outra postagem, em breve.

Foto: Débora Andrade

“Footlong” cheese dog, para os mortos de fome!

Cachorro-quente no estádio é quase sagrado. E não é essa mixaria de pão, com uma salsicha de mentira e uma gosta de mostarda que vendem no Maraca, não. Lá o bagulho é de verdade! Primeiro que o “dogão”, para meus amigos paulistanos, do Tropicana Field vem em dois tamanhos, para os normais e os mortos de fome (eu), com opções: chilli and cheese, cheese ou clássico, só pão e salsicha.

Foto: Fernando Andrade

Apesar de contar com alguns artigos dos Rays, o museu do Tropicana Field não é dedicado só ao time da região da Baía de Tampa. Na foto, uniforme e prêmios de David Price, vencedor do troféu Cy Young 2012, dado ao melhor arremessador da temporada regular de cada ano.

Além de se comer bem, o estádio tem opções de entretenimento, como jogos, “gaiolas” para rebater bolas arremessadas por “pitching machines” e museu.

Algumas opções, como a “gaiola”, são pagas, outras, como o museu, são gratuitas. Na primeira vez que eu fui ver um jogo lá, em 2006, ainda paguei para rebater. Meus amigos Emílio e Dani até me filmaram e juro que não fiz feio, mas não tenho mais esse vídeo, infelizmente.

Foto: Fernando Andrade Foto: Fernando Andrade

O museu é uma aula de história do beisebol, como não poderia deixar de ser. O time dos Rays é relativamente novo, então não fizeram um museu só da equipe, mas do esporte. Numa boa, isso é muito legal!

História de grandes jogadores, de grandes equipes e de momentos marcantes do “passatempo americano”, como é conhecido o beisebol. Tem, por exemplo, o uniforme feminino usado pelas equipes durante a segunda guerra. Nesse período, os muitos atletas profissionais foram aos campos de batalha, então as mulherada é que calçou as luvas, as chuteiras e empunhou os bastões de madeira. Detalhe, com direito a sainha e tudo, como foi mostrado no filme “Uma Equipe Muito Especial” (A League of Their Own), de 1992, estrelado por Tom Hanks, Geena Davis e Madonna (fica aí a dica de um filme para vocês).

Foto: Fernando Andrade

Mariano RIvera, considerado o maior fechador de todos os tempos, cumprimentando o público em sua última temporada.

Ainda falando em história, esse cara aí de cima é “O CARA”! Eu nunca me senti tão feliz de ter investido uma grana em uma boa tele (lente para longa distância), do que quando eu tirei essa foto. O Mariano Rivera é considerado o maior fechador (arremessador que joga as últimas entradas) de todos os tempos. Há pouco tempo, eu contei a história do Jackie Robinson e de seu número, 42, que foi aposentado de toda a liga. O único cara que continuou usando foi esse aí de cima. Agora, ninguém mais usa.

O jogo era na casa do adversário, mas ele foi saudado de pé até pelos torcedores rivais. Eu poderia até falar, de novo, que é coisa de gente civilizada e evoluída, mas não é isso, não. É que o Mariano Rivera era foda mesmo!

Foto: Fernando Andrade

Raymond, o marcote dos Tampa Bay Rays, anima os intervalos dos jogos realizados no Tropicana Field.

Outro cara que é foda é esse aí, o Raymond! O mascote dos Rays anima os intervalos. E o bicho é mesmo engraçado, bem no estilo desses videozinhos que seu amigo compartilhou no “feice”. Ele brinca com os torcedores da casa, implica com os de fora, mas com muito respeito. Quer dizer, sem muito respeito. Mexe com a mulher dos outros, pega o boné do cara e enche de pipoca, mas todo mundo leva na brincadeira.

Foto: Fernando Andrade Foto: Fernando Andrade

Você reparou que eu já escrevi muito e não contei nada do jogo, né? Pois é, é para mostrar que a experiência é muito maior que um jogo de três horas e meia, quatro horas. Para quem ouve, pode até parecer demorado, mas é uma experiência que vale muito a pena! Apesar de eu ser suspeito demais para falar isso!

Foto: Fernando Andrade

Home-run dos Rays, marcado por Evan Longoria.

Outro motivo pelo qual eu não falei muito é que os Yankees tomaram uma porrada. Essa foto aí de cima, com essa bolinha voando, foi um home-run dos Rays. Nessa foto daqui de baixo, com o Ichiro Suzuki olhando os caras se matando para pegar uma bolinha, foi outro.

Foto: Fernando Andrade

Home-run dos Rays, marcado por Evan Longoria. Sim, eu só me dei ao trabalho de copiar e colar a legenda da foto de cima.

Parecia até “Barrrrrcelona e Fluminense, Fluminense e Barrrcelona”, lembram? “Fim de jogo, poooonto para os Rays!”

Sabem o que é o pior, eu não tenho fotos do outro jogo em que fui, em que os Yankees sacudiram os Rays.

Para piorar, levei minha luva aos dois jogos, mas ainda não consegui pegar nenhuma bolinha rebatida para fora do campo. Pensando melhor, ainda bem que não veio na minha direção, pois não daria tempo de largar a câmera e calçar a luva.

Ah! Sabe aquelas cenas de filme de comédia romântica, em que o namorado pede a mão de sua musa em casamento no meio da arquibancada, com todo mundo observando pelo telão, se você der sorte, pode acabar vendo um momento desses, como vimos o dos pombinhos aqui de baixo. Que sejam felizes!

Foto: Fernando Andrade

Ela aceitou e viveram felizes para sempre. Ou, pelo menos, até o jogo recomeçar, aí parei de tomar conta da vida deles e não sei nem se o relacionamento durou até o fim da partida.

Dica de foto:
1 – A primeira dica que eu posso dar, obviamente, é usar uma boa teleobjetiva, no caso das DSLR, ou um bom zoom ótico. Isso serve para jogos de futebol também, já que ficamos a uma distância grande de alguns jogadores, por causa do tamanho do campo.

2 – A segunda dica que eu posso dar é usar o modo esporte/ação da sua câmera, que geralmente é representado por um bonequinho correndo. Esse modo aumenta a velocidade do obturador, congelando o movimento.

3 – Geralmente, nesse modo, a câmera faz diversos disparos por segundo. Então, aproveite esse recurso e dê uma “metralhada”. Depois, quando chegar em casa, você escolhe as fotos que mais te agradaram.

4 – Para poder usar uma velocidade alta, sem uso de flash, sua câmera vai colocar um ISO alto, o que deve deixar sua foto com uma aparência mais “granulada”. Nas fotos que eu tirei do jogo, usei ISO 6400, bem alto, para uma velocidade de 1/800. Eu evitei fazer grandes correções na foto, para que você possa observar esse aspecto granulado, mas dá para reduzir bastante nos editores, mexendo em sombras, contrastes, luz de preenchimento, etc.