Passeios de Nova York: Tour do Madison Square Garden

Depois de falar dos três esportes profissionais das “major leagues” (ligas principais) que eu assisti nos Estados Unidos (beisebol, basquete e hóquei), vou voltar a falar de passeios e programas turísticos, mas vou aproveitar e fazer mais dois posts relacionados a esportes: tour do Madison Square Garden e Yankee Stadium, ambos em Nova York.

Vou começar falando da casa de dois dos mais populares times americanos: New York Knicks (NBA) e New York Rangers (NHL).

Madison Square Garden: casa dos Knicks (NBA) e dos Rangers (NHL), dois dos times mais populares do esporte americano.

Madison Square Garden: casa dos Knicks (NBA) e dos Rangers (NHL), dois dos times mais populares do esporte americano.

O nome do passeio é All Access Tour (algo como “acesso total”) e custa 27 doletas (US$ 26,95).

De fato, o tour é até bem completo e explicativo, com os guias da arena explicando cada lugar em que paramos. Aliás, uma observação sobre ser um passeio “completo”, visitar os vestiários dos Knicks e dos Rangers depende de ter jogo ou não. Se tiver algum jogo para acontecer, a visita não acontece.

De qualquer forma, mesmo que não haja jogo, você não chega a entrar no vestiário, só dá uma olhadinha da porta, que fica isolada por uma faixa, daquelas que usam para filas de aeroportos e bancos.

 

Foto: Fernando Andrade

Vestiário dos Knicks recebendo o time da Universidade St. John’s para um jogo de basquetebol universitário.

Nós até visitamos o “Garden” em dia de jogo, uma partida da Universidade de St. John, que também atua ali, mas conseguimos fazer a visita, já que os jogadores estavam em aquecimento na quadra, com o vestiário vazio. De qualquer forma, o time também ganha o direito de personalização, com um tapete cobrindo o escudo dos Knicks.

Uma coisa curiosa sobre o vestiário dos Knicks, nessa foto aqui de baixo, é o quanto a superstição move o esporte americano. Apesar da bagunça (a temporada de hóquei no gelo estava rolando, mas o time jogaria fora de NY), eles têm o cuidado de cobrir o escudo dos Rangers. Eles acreditam quer dá má sorte ao time, se alguém pisar no distintivo.

Foto: Fernando Andrade

No vestiário dos Rangers, time de hóquei no gelo, escudo coberto por superstição. Jogadores acreditam que dá azar pisar no distintivo da equipe.

Além do vestiário, que você pode ou não visitar, dependendo de ser ou não dia de jogo, o tour te leva a outras áreas da arena que, provavelmente, você não teria acesso em condições normais.

No caminho a cada uma dessas áreas, um pouco da história do MSG, que já recebeu megaeventos de toda forma de entretenimento, com jogos, lutas, concertos musicais, etc. Vai de show da Ivete Sangalo (se você considerar um megaevento) à “luta do século”.

Duas comentários sobre o último parágrafo:
1 – nada contra a Ivete, ou quem goste dela, mas é uma questão de gosto mesmo. Sei que o show dela foi um secesso, que encheu o ginásio e o cacete, mas eu não gosto. A ela, todo o meu respeito e desejo de sucesso, mas não gosto da música;
2 – a luta do século a que me referi não foi essa bosta de luta entre Manny Pacquiao e o amarelão/fujão do Floyd “Cuzão” Mayweather Jr., que ficou fugindo da luta o tempo inteiro e comprou os árbitros laterais.

Foto: Débora Andrade

Depois da peleja entre Ali e Frazier, o Madison Square Garden vai receber Fernando Andrade x Flavio Moraes.

A luta do século, realizada no Garden, foi entre Muhammad Ali e Joe Frazier, pelos pesos pesados. E, nos corredores, o mesmo usado pelos torcedores em dias de jogos, lembranças da batalha.

Foto: Fernando Andrade

Entre os artigos exibidos pelos corredores do Madison Square Garden, luvas autografadas por Muhammad Ali e Joe Frazier.

Os corredores formam um museus. Não são só fotos e posteres, são relíquias, como as luvas autografadas por Frazier e Ali, dois dos maiores peso-pesados da história do boxe! Acho, inclusive, que, para o esporte, a grandeza dos dois chega muito perto da minha!

Wayne Gretzky, considerado por muitos como o melhor jogador de hóquei no gelo de todos os tempos, é homenageado no Madison Square. Ele fez história no ginásio, defendendo os New York Rangers.

Wayne Gretzky, considerado por muitos como o melhor jogador de hóquei no gelo de todos os tempos, é homenageado no Madison Square. Ele fez história no ginásio, defendendo os New York Rangers.

É claro que, também, há muita homenagem aos dois times da casa. Destaque para a lenda do hóquei, “The Great One” (O Maior), Wayne Gretzky, que é considerado por muito como o melhor jogador de hóquei de todos os tempos.

Gretzky só atuou por três temporadas nos Rangers, de 1996 a 1999, e não ganhou nenhum título. Na verdade, ele jogou muito mais por Edmonton Oilers e Los Angeles Kings, mas ninguém perderia a chance de explorar a imagem de um jogador desses. Imagine se o Messi jogasse uma partida pelo Vasco, por exemplo. Euricão ia colocar uma estátua dele sendo carregado nos ombros pela estátua do Romário.

Foto: Fernando Andrade

“A Enterrada” de John Starks sobre o Chicago Bulls também é destaque nas paredes do Madison Square Garden.

Nos corredores, obviamente, destaque também para o basquete. Mais precisamente, destaque para os New York Knicks. Os artigos também são bem variados. Vão desde os mais óbvios, como camisetas, tênis e anel de campeonato, a uma vitrine dedicada a uma enterrada, “A Enterrada” de John Starks, no dia 25 de maio de 1993. 25 de maio? Que dia essa postagem foi ao ar mesmo?

Mais uma coisa. Também estão rolando os playoffs da NHL, entre Rangers (time que joga no Madison Square Garden) e o Tampa Bay Lightning (da postagem anterior).

Então, será que foi muita coincidência ou será que foi de propósito?

E qual o motivo de uma enterrada ser tão importante? Será que foi o ponto do título? Na verdade, não! O time até ganhou esse jogo, mas perdeu a série e foi eliminado dos playoffs. Mas starks era um jogador baixo para os padrões da NBS (1,91m) e um dos que aparecem para tentar marcá-lo é só um tal de Michael Jordan, o maior de todos!

Se quiserem ver, achei esse vídeo aí no Youtube.

A visita também nos leva a parte das arquibancadas e a parte das pontes. As pontes, como você pode deduzir, são estruturas suspensas, sobre as arquibancadas, com cadeiras e uma excelente visão da quadra.

Foto: Fernando Andrade

Quadra vista de uma das pontes do Madison Square Garden,

Uma curiosidade é que as pontes encobrem a visão que parte da arquibancada teria do placar principal, o da primeira foto desse post. Então, atrás de cada ponte, um placar específico para aquele setor das arquibancadas. Detalhe: a ponte só encobre o placar, deixando a visão da quadra livre para todos os torcedores presentes ao Madison Square Garden.

Foto: Fernando Andrade

No teto do Madison Square Garden, as principais conquistas e os números aposentados de Rangers e Knicks.

Das arquibancadas e das pontes, também é possível observar flâmulas que relembram os principais momentos de cada uma das equipes que utilizam o MSG. De um lado, os números aposentados e as principais conquistas dos Rangers. Do outro, as glórias e os números imortalizados dos Knicks, dividindo espaço com St. John’s (NCAA) e Liberty (WNBA).

Foto: Fernando Andrade Foto: Fernando Andrade

Mas não é só arquibancada, não. No tour, você também vai conhecer os camarotes e outras áreas VIP da arena. Todos os camarotes são bem equipados, com serviço de garçons e decoração cuidadosa, como fotos do antigo Madison Square Garden, mas, ainda assim, têm acesso a bares e restaurantes como esse da foto de cima.

Foto: Fernando Andrade

Visitantes caminhando entre um ponto de interesse e outro do Madison Square Garden.

O tour é todo feito a pé e leva cerca de uma hora e meia. Por mais que você vá parando, é bom usar um tênis confortável. Para subir, pelo menos, você ainda conta com elevadores e escadas rolantes, mas não custa estar com um calçado adequado.

Agora, duas coisas bem legais.

Primeira: Invariavelmente, quem participa de “tours” como esse acaba se empolgando e comprando alguma coisa na loja do estádio/ginásio. Pois bem, o crachá do tour (que fica para você) te dá 10% de desconto nas suas compras. Eu comprei um puck (disco de borracha que equivale à “bola” do hóquei no gelo) e um copinho de “shot” para a coleção da minha tia, mas tem camisas oficiais de jogo, camisetas, bonés, agasalhos, cachecóis e todo tipo de produto que você pensar.

Segunda: Muita gente desanima de fazer esses passeios por causa da barreira do idioma, por não falar inglês. Bem, no Madison Square Garden isso não é um problema. Não que o guia seja brasileiro ou fale a nossa língua, mas eles possuem um encarte com as principais informações do tour em PORTUGUÊS! Isso facilitou muito a vida de quem não fala inglês e de quem fala também, que pode prestar mais atenção e traduzir menos coisas.

Serviço:
Preço: US$ 26,95
Horário: 10:30 às 15h (vários grupos ao longo do dia)
Como chegar de Metrô: Estações 34 St / Penn Station (linhas 1, 2, 3, A, C e E) e 34 St / Herald Sq. (B, D, F, M, N, Q e R).

Dica de foto:
Na foto do alto da ponte, eu usei uma lente olho-de-peixe. Isso deu um efeito ainda mais arredondado que o ginásio já teria, além de fazer com que ele pareça maior e com a foto ainda mais distante do centro da quadra. Outra coisa que eu gostei foi o efeito que a lente deu no teto, que é curvado para dentro, então algumas linhas acabaram se ondulando e outras ficaram “retas”.

Mesmo que você não tenha uma câmera profissional e uma lente específica para isso, muitas câmeras compactas oferecem o recurso/efeito “olho-de-peixe” (fisheye), então, se a sua tiver, experimente. Acerte, erre, mas experimente. Principalmente em ambientes com linhas bem definidas, você pode conseguir resultados bacanas.