Passeios de Nova York: Tour do Yankee Stadium

A Catedral!

O Estádio!

A Casa que (Babe) Ruth Construiu!

A Casa que (Derek) Jeter Construiu!

A Casa que George (Steinbrenner III) Construiu!

O Yankee Stadium! Ou o Novo Yankee Stadium!

Se você gosta tanto de uma coisa quanto eu gosto dos Yankees, você deve imaginar como eu me senti ao entrar no Yankee Stadium para fazer o tour.

Foto: Fernando Andrade

O portão 6 é a entrada para o tour do Yankee Stadium.

Mas, antes disso, vou contar uma estorinha triste. Vou contar a lenda de um rapaz que, em 2012, NÃO foi ao Yankee Stadium.

“Era uma vez, um pobre torcedor dos Yankees que iria a Nova York e decidiu gastar um grana preta comprando dois ingressos para assistir aos dois primeiros jogos das finais da Liga Americana. Até que, dias antes da viagem, o time desse pobre torcedor perdeu para os Tigers e foi eliminado. O torcedor recebeu o dinheiro de volta, mas não viu jogo nenhum e ficou puto! Fim!”

Pois é, eu já deveria ter ido ao estádio dos Yankees antes, mas não deixaram. Eu cheguei até a falar que não iria, se não assistisse nenhuma partida, mas acabei sucumbindo e cedendo ao desejo de fazer o tour do estádio.

Nós compramos os ingressos para o tour pela internet, pelo site dos Yankees, mas dá para comprar na hora também, se o grupo não estiver esgotado. O ingresso custou US$ 20,00, mas também tinha outras opções, com refeição incluída no Hard Rock do estádio. Sim, no Maracanã tem biscoito “grobo”, no Yankee Stadium tem Hard Rock Cafe.

Como eu não comi no HRC, vou falar do tour.

Foto: Fernando Andrade

No quarteirão em que o estádio se encontra, a RIver Avenue foi rebatizada para Rivera Avenue, em homenagem ao ex-arremessador Mariano Rivera, que se aposentou em 2013.

Já do lado de fora, a primeira surpresa. Parte da River Avenue virou Rivera Avenue. Uma justa homenagem ao maior closer de todos os tempos e um dos grandes ídolos do clube, que se aposentou em 2013: Mariano Rivera!

Aqui no Brasil, temos uma lei que proíbe que pessoas vivas sejam homenageadas com nome de equipamentos e logradouros públicos. Sei que isso evita que políticos usem ainda mais isso para se promoverem, coíbe (ou tenta coibir) excessos e tal. Mas é sempre muito legal ver homenagens justas, ainda mais quando os agraciados estão vivos e com saúde plena, para aproveitarem o momento.

Apesar de ter uma arquitetura clássica, dá para ver rapidamente que tudo é bem novo. O estádio foi inaugurado em 2009 e custou US$ 2,3 milhões.

Foto: Débora Andrade

No “Great Hall”, esperando o tour começar. Nas paredes, vinte dos maiores Yankees de todos os tempos.

Logo depois de entrar no estádio, pelo portão 6, os guias esperam os outros visitantes chegarem ao “Great Hall”, um corredor com sete andares de altura e cartazes de grandes jogadores do passado e do presente. Quando todos chegam, nos levam para o museu dos Yankees.

Confesso que fiquei decepcionado. Não que o museu seja ruim. Não tem como o museu do maior time de beisebol de todos os tempos ser ruim. Não tem como o museu do time que teve Babe Ruth, Yogi Berra, Lou Gehrig, Mickey Mantle, Joe DiMaggio, Mariano Rivera e Derek Jeter, para não fazer uma lista de, literalmente, centenas de estrelas do beisebol, ser ruim.

Decepcionante foi o tempo que nos deram no museu. Foi muito rápido! Acho que não ficamos uns dez minutos por lá. Para ser honesto, eu não me preocupei em marcar o tempo, mas fiquei com muita impressão de que foi corrido.

Foto: Fernando Andrade

Logo na primeira vitrine do museu, bola autografada por babe Ruth, considerado o maior jogador de beisebol de todos os tempos.

Assim que você sai do elevador e vira à esquerda, dá de cara com algumas vitrines repletas de relíquias do beisebol! São uniformes originais usados por grandes jogadores, reproduções de jornais de época, bolas autografadas, bastões, fotos, etc.

O mais legal é que eles separaram por época, por grandes times. Segundo o guia, isso foi um trabalho muito complicado. Como escolher alguns times de um clube que tem “somente” 27 títulos! Se não me falha a memória, entre as principais competições do esporte profissional, só a Juventus bate esse número (31 campeonatos italianos).

Bom, os três selecionados foram os daqui de baixo:
– 1927: camisas de Babe Ruth (3) e Lou Gehrig (4);
– 1961: Mickey Mantle (7) e Roger Maris (9);
– 1996: Derek Jeter (2) e Mariano Rivera (42).

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Logo depois dessas vitrines, uma outra mostrando a evolução do boné dos Yankees. Começa com uma boina, já fabricada pela New Era (fornecedora até os dias de hoje) e chega ao modelo atual. Bom… Eu tenho três aqui em casa e, possivelmente, a coleção continuará aumentando. Sempre que um boné começa a desbotar ou a parecer velho, eu compro outro.

Foto: Fernando Andrade

Provavelmente o mais icônico boné do mundo, o NY dos Yankees é usado até por quem nem conhece o time. No museu do clube, alguns exemplares foram assinados pelos grandes ídolos da equipe, como o ex-arremessador Andy Pettitte.

Em frente aos bonés, esse cara aí de baixo! Yogi Berra! Figura folclórica e um dos maiores catchers de todos os tempos (se estiver com tempo, vale a pena dar uma conferida numa coluna que escrevi sobre ele em 2007)! Resumindo, o Lawrence Peter Berra, ou Yogi Berra, serviu de inspiração para o Zé Colmeia (Yogi Bear)! Mais que isso, a ele são atribuídas frases que deixariam Vicente Mateus com inveja, como: “Um sujeito que não consegue diferenciar o som de uma bola batendo na madeira e de uma batendo no concreto só pode ser cego” ou “Metade das mentiras que dizem sobre mim não são verdadeiras”.

Mas, mais que folclórico, Yogi Berra foi um grande jogador, eleito três vezes MVP (jogador mais valioso) da Liga Americana, mesmo atuando com Joe DiMaggio e Mickey Mantle.

Foto: Débora Andrade

De um lado, um dos mais craques e folclóricos jogadores da história do beisebol. Do outro, Yogi Berra.

A estátua de Yogi faz parte de um cenário muito legal. Uma homenagem ao jogo perfeito (quando nenhum adversário chega em base) de Don Larsen na World Series (final da MLB) de 1956. De um lado, Larsen arremessa; do outro, Berra recebe. Entre os dois, a trajetória da bola desenha uma vitrine com centenas de bolas autografadas por jogadores e ex-jogadores dos Yankees. E eles querem mais. O objetivo dos responsáveis pelo museu é colocar uma bola autografada de cada jogador e ex-jogador dos Yankees que ainda estiver vivo.

Aí, você deve pensar: “com tanta bolinha assim, deve ser difícil pra cacete achar alguma específica”. Na verdade, não. Eles possuem tudo catalogado e basta você digitar no computador o nome que você procura. Aí, a máquina indica a localização da bolinha referente a ele.

Como já falei antes, no post sobre St. Pete, cujo Museu de História tem a maior coleção de bolinhas autografadas do mundo, a vitrine de bolinhas dos Yankees dá inveja a qualquer colecionador pobre, como eu.

Foto: Fernando Andrade

Depois da brincadeira com a estátua, hora de fazer justiça a um dos maiores de todos, a inspiração para o Zé Colmeia e três vezes melhor jogador da Liga Americana: bolinha assinada por Yogi Berra.

Em frente à vitrine com as bolinhas, troféus! Não tem todos, obviamente, mas dá para sentir a a grandeza desse time. Eu até já havia visto um troféu de World Series de perto, quando fui a Atlanta, mas eles combinam muito mais com a casa dos Yankees.

Dois dos 27 troféus de World Series (campeonato da MLB) conquistados pelos Yankees.

Dois dos 27 troféus de World Series (campeonato da MLB) conquistados pelos Yankees.

Resumindo o resto do museu, para não precisar fazer mais uma postagem: tem maquete do estádio; tem uma área destinada ao antigo dono do clube, o finado George Steinbrenner III; tem imagem das placas que integram o Monument Park (que vou falar logo abaixo) e algumas imagens marcantes da história do estádio.

Foto: Fernando Andrade

Monument Park é a área em que os maiores nomes dos Yankees são homenageados junto ao campo de jogo.

Depois do museu, o pegamos o elevador de volta ao térreo e seguimos para a lateral das arquibancadas (hábito de brasileiro, pois são cadeiras). Ali, o guia dá algumas explicações, nada muito relevante, e seguimos para o Monument Park.

A área é um resumo da grandeza do clube! É como se chegassem na sua cara e dissessem: “THAT’S WHY WE ARE THE YANKEES“! Ali, estão placas de bronze com rostos personalidades que fizeram história pelo uniforme listrado! Repare que eu disse “pelo”, não “com” o uniforme listrado. Não são só jogadores.

Tem jogadores, obviamente, mas tem treinadores, dirigentes, narrador oficial do estádio e personalidades que visitaram os Yankees Stadiums (o atual ou o antigo), como o Papa João Paulo II e Nelson Mandela.

Foto: Fernando Andrade Foto: Fernando Andrade

Já assustado com o tempo que tivemos no museu, eu saí tirando foto de tudo rapidamente, de qualquer maneira, para poder ver em casa, com calma, caso não desse tempo de visitar direito.

Ao contrário do que aconteceu no museu, tivemos bastante tempo no Monument Park. Ou seja, depois de sair clicando tudo de qualquer forma, voltei e pude ver tudo com calma e tirar uma foto ou outra com um pouco mais de cuidado.

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O beisebol é um esporte de supersticiosos e, segundo dizem, desde o antigo estádio, os fantasmas dos grandes jogadores voltam a campo, depois de meia-noite, para ajudar os Yankees. Ultimamente, porém, eles parecem estar de férias.

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Uma curiosidade sobre o Monument Park, que fica logo atrás do campo de jogo, como também ficava no estádio antigo. O beisebol é um esporte de supersticiosos. Diz a lenda que os adversários precisam vencer antes de meia-noite. Se a partida demorar muito e passar desse horário, os fantasmas dos grandes jogadores já falecidos voltam e ajudam a equipe do Bronx.

A julgar pelas últimas temporadas, acho que eles andam tirando férias prolongadas.

Foto: Fernando Andrade

Dugout dos Yankees, em frente à primeira base. No beisebol, o time da casa sempre fica perto da primeira base, com o visitante sentando perto da terceira.

De lá, depois de ver tudo com calma, fomos ao dugout (equivalente do beisebol ao banco de reservas) que é utilizado pelos Yankees.

Foto: Fernando Andrade

As icônicas arquibancadas do Yankee Stadium, vistas do Monument Park.

Lá, também tivemos tempo suficiente para ver e tirar fotos. Honestamente, acho que tivemos até tempo demais. Eu tiraria uns dez minutos de dugout e colocaria no museu.

No dugout dos Yankees, pertinho do gramado d'A Catedral!

No dugout dos Yankees, pertinho do gramado d’A Catedral!

É claro que é muito legal ver o campo de pertinho, tirar foto sentado ali, tirar foto com o campo ao fundo, ter uma noção do tamanho do estádio e tudo mais, ainda mais para fim, que sou torcedor dos Yankees, apaixonado pelo time e jogador de beisebol no Brasil. Estou acostumado a jogar em campos sem bancos, sem banheiros, sem grama e sem qualquer outra coisa que eu vi ali, mas é um local em que é tudo muito visual.

Você não “coleta” informações, como no museu. Você não presta atenção aos detalhes, não tem que ler nada.

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Depois de lá, o tour termina com os guias nos escoltando de volta ao portão por onde entramos. Antes de sairmos, deram uma pulseirinha de silicone dos Yankees para cada um.

Obviamente, não saímos pelo portão, mas por uma lojinha! E, tão óbvio quanto sair por uma loja, eu tive que comprar. Comprei um boné novo, comprei ímãs de geladeira e uma caneta dos Yankees para a minha irmã, que é torcedora dos Boston Red Sox (é como comprar uma caneta do Vasco para um flamenguista), mas sei que ela curtiu.

Apesar de ter comprado um bocado, esperava encontrar mais coisas interessantes por lá.

Foto: Débora Andrade

Eu não poderia fechar o passeio de outra maneira: ao lado do Macomb Park (onde ficava o antigo Yankee Stadium), de frente para o “novo” e com mais um boné dos Yankees “zerinho”, comprado na loja do time.

Depois do estádio, só para completar, atravessamos a rua para o Macombs Dam Park. É uma área de lazer, com campos de beisebol, onde ficava o antigo Yankee Stadium. Lá, inclusive, tem uma placa indicando onde o campo do antigo estádio ficava.

Bom… Vamos recapitular. Nos últimos posts falei de beisebol, basquete, hóquei no gelo, tour do Madison Square Garden e, agora, Yankee Stadium. Acho que chega de esporte. Será?

Bom, vou dar um descanso a vocês, pelo menos na próxima postagem.

Serviço:
Preço: US$ 20,00 online / US$ 25,00 na bilheteria
Horário: meio-dia às 13:40 (grupos saem a cada 20 minutos)
Como chegar de Metrô: Estação 161st St. / Yankee Stadium (linhas 4, B e D)

Dica:
Dessa vez, a dica não é de foto, mas de compras. Pertinho do Yankee Stadium, logo depois do Macomb Park, tem o Bronx Terminal Market, um shopping com lojas bem populares e bom preço. Lá, você vai encontrar Target, Marshalls, Best Buy, GameStop, Home Depot, Toys ‘R’ Us (e Babies ‘R’ Us), Bed Bath & Beyond, além de outras lojas, lanchonetes e restaurantes.

Não espere um shopping muito grande, com praça de alimentação e milhares de lojas. Ele não é muito grande, mas tem lojas que a brasileirada sempre gosta.