Nova York Para os Duros – Metropolitan

Foto: Fernando Andrade

O Metropolitan, também chamado só de Met, é, indiscutivelmente, um dos melhores e mais importantes museus de arte do mundo. Na verdade, ele é o maior dos Estados Unidos e um dos dez maiores do planeta. E, mais importante ainda, é um excelente passeio para quem é duro como nós.

Foto: Fernando Andrade

Galeria de artes gregas e romanas do Metropolitan

“Ah! Mas eu olhei no site deles e a entrada custa US$ 25,00”, você pode pensar. Realmente, se pensarmos no preço que eles informam, não faz o menor sentido colocar essa postagem como sendo “para os duros”. Mesmo quando você chega ao museu, olhando a tabela de preços, você vê o valor de 25 Obamas. A questão é que esse é um “valor sugerido”. A maioria acaba pagando o valor pedido, mas você pode pagar quanto quiser.

Pode pagar US$ 10,00, US$ 5,00, US$ 1,00, quando for, ninguém vai te olhar torto, nem tentar te convencer a pagar mais. Em todas as vezes que fui, paguei 25 cents. Na verdade, da última, meu primo resolveu esbanjar e pagou os ingressos de todos os quatro, com um dólar.

O museu tem milhares de obras, separadas em dezessete departamentos (Obrigado, Wikipédia!). São pinturas do século XVII, esculturas gregas, armaduras medievais, armas de samurais, arte egípcia e muito mais. Não vou ficar gastando o seu tempo com coisas que você pode encontrar com o Google. Minha ideia é fazer com que você consiga aproveitar a sua visita.

Foto: Fernando Andrade

O setor egípcio possui o Templo de Dendur, construído em 15 a.C., removido do Egito e remontado no museu.

Eu sei que falei que não entraria em detalhes, mas só uma curiosidade sobre a foto aqui de cima. O museu possui um templo egípcio original: Templo de Dendur. Construído em 15 a.C., ele foi desmontado e remontado em Nova York, como parte de um projeto da UNESCO, para salvar obras importantes que seriam submersas pela construção de uma represa.

Se eu não vou detalhar cada setor, por que resolvi listar algumas coisas? Bem, isso foi para mostrar a diversidade e o tamanho do acervo, para poder dar a primeira, e mais importante, dica para você aproveitar ao máximo: se você gosta de arte, é chegar bem cedo, no horário em que o museu abre! A coleção é imensa e, mesmo se propondo a passar o dia inteiro, dificilmente você conseguirá apreciar tudo com calma.

Eu sugiro que você escolha os setores que mais te interessam para fazer com calma. Depois, os outros, você vai administrando de acordo com o seu tempo. Eu, por exemplo, curti muito a exibição de armas e armaduras, especialmente as de samurais e medievais. As peças vão desde as mais simples, preocupadas apenas com sua eficiência, até as mais refinadas, como essa da foto abaixo, que pertenceu ao rei Henrique II da França, em ouro, prata e aço.

Foto: Fernando Andrade

Armadura de Henrique II da França, no setor de armas e armaduras.

Além de pagar o quanto você quiser, o Met tem visitas guiadas gratuitas. E, o mais legal, os tours  são realizados em vários grupos com línguas diferentes, incluindo o PORTUGUÊS. Nossa guia era uma brasileira que é uma das especialistas em artes do próprio museu, mas também tem a possibilidade de você ser guiado por um voluntário treinado para fazer esse passeio.

Isso é ótimo, especialmente, para quem não é um especialista em artes, como eu. Eu conheço um pintos ou outro, conheço uma coisa ou outra de alguns estilos, mas foi muito bom ser apresentado às principais obras do museu, com explicações que deram sentido às coisas, indo muito além da parte estética. Você pode descobrir quando vai ter uma visita em português no site do próprio museu.

Foto: Fernando Andrade

Tumba de mármore na galeria dedicada a obras gregas e romanas.

Muitas vezes, passeando pelo Metropolitan, você pode esbarrar com artistas trabalhando. Em 2012, por exemplo, este senhor da foto abaixo estava retratando, com lápis, uma das mais famosas esculturas do museu: “Ugolino e seus filhos”. A obra retrata uma passagem do Inferno de Dante em que Ugolino é condenado ao isolamento com os filhos e os netos, para morrerem de fome, e ele entra em crise de consciência entre deverá-los ou morrer (aprendi isso no tour, só para constar).

Foto: Fernando Andrade Foto: Fernando Andrade

Uma coisa que me chamou a atenção, na galeria dedicada à arte africana é a questão espiritual e ritualística envolvida nas obras. Não que isso seja surpreendente para nós, brasileiros, com tantas influências da África em nossas vidas. As obras africanas não precisam ser bonitas, elas precisam representar algo. Essa foto abaixo, por exemplo, é de uma “escultura de poder” ritualística.

Foto: Fernando Andrade

Escultura de poder africana.

Eu tive muita dificuldade, na verdade, para selecionar os quadros que eu colocaria aqui. São muitas obras, de muitos artistas consagrados.

Da mesma forma, outras tantas obras têm muita representatividade para os americanos, mas os autores não são tão conhecidos pelos leigos, como eu.

Sendo assim, resolvi colocar uma opção de cada, um é da época da independência americana. O outro é de um cara que, mesmo com o museu contando com Monet, Renoir e Van Gogh, é mais que pica, como os outros, o cara é Picasso! Eu sei que foi mais uma piadinha escrota, mas eu estava esperando há muito tempo para mandar essa.

Foto: Fernando Andrade

Foto: Fernando Andrade

Picasso se retratou como um Arlequim, acompanhado por uma namorada.

Para falar a verdade, eu acho que o Met é tão foda que eu juro que, se eu tivesse dinheiro, pagaria os 25 dólares que eles pedem. Como eu não tenho, provavelmente, pagarei 25 cents, quando for visitar o museu novamente.

Foto: Fernando Andrade

Ah! E comprando um ingresso para o Met, pelo preço que quiser, você também tem direito a visitar o Cloisters, que é um misto de jardins e museu medieval. Eu não conheço, mas fica a dica.

Serviço:
Preço: Pague quanto quiser – Valor sugerido pelo museu: US$ 25,00
Horário: domingo a quinta: 10h às 17:30 / sexta e sábado: 10h às 21h
Como chegar de Metrô: Estação 86th St (Linhas 4, 5, 6 e 6 diamond).

Dicas de fotos:
Em regra, nenhum museu permite que você utilize flash para fotografar as obras. A iluminação precisa ser controlada, para a preservação ideal das peças. Então, a primeira coisa que você deve fazer, ao entrar em qualquer museu, é desligar o flash da sua câmera.

Quando for fotografar quadros, o fato de não poder usar flash é uma vantagem. Como a maioria das câmeras modernas tem boa resolução e boa compensação de luz, você consegue imagens muito mais próximas do que você viu com “seus próprios olhos que a terra há de comer”, sem aquela “mancha” de luz, causada pelo reflexo do flash.

Preocupe-se, somente, em tentar alinhar a câmera com os quadros, colocando a câmera bem no centro, bem de frente. Mesmo que você pegue molduras e parede, se a foto estiver bem alinhada, basta cortar depois.

Quem sabe, você não consegue, inclusive, imprimir uma bela réplica para enfeitar a parede da sua sala.