Citius, Altius, Fortius – No Clima dos Jogos Olímpicos

Chega a ser sacanagem falar de clima de Jogos Olímpicos, com a Olimpíada desse ano acontecendo no calor do Rio e estando no frio suíço, bem no inverno, mas é isso mesmo.

O lema olímpico, traduzido do latim, quer dizer “Mais Rápido, Mais Alto, Mais Forte”. Mas, no caso do Museu Olímpico, eu acrescentaria um “Mais Legal”!

Quando eu decidi que iria para a Europa, esse foi o segundo lugar que coloquei na lista de locais a visitar. Na verdade, só não foi o primeiro por eu ter ido à Europa pagar uma promessa, mas não tinha foco turístico.

Eu sou um fanático por esportes, como já falei em muitas postagens (podem conferir a lista aqui). E, para alguém que goste tanto de esportes quanto eu, Lausanne (ou Lausana), na Suíça, é destino obrigatório. Já valeria a visita só pela beleza da cidade, às margens do Lago Genebra, mas Lausanne é a capital olímpica, onde fica a sede do COI, o Comitê Olímpico Internacional. Mais que isso, lá fica o Museu Olímpico, que é o tema dessa postagem.

Foto: Fernando Andrade

No Parque Olímpico, como é chamado o jardim do museu, esculturas com temas esportivos, como a ginástica artística, já deixam o visitante no clima para a visita.

Eu confesso que não sabia muito o que esperar, como eles abordariam o tema, se seria só uma exposição de artigos esportivos e medalhas, se seria algo interativo ou se tratariam do lado histórico dos jogos. Felizmente, conseguiram juntar tudo isso, fazendo um dos museus mais legais que eu já visitei. E olha que já visitei muitos! Claro que, nessa minha avaliação, pesa, e pesa muito, o fato de eu ser apaixonado por esportes, mas o museu é muito legal mesmo.

Logo que você chega ao museu, na beira do lago, se depara com um jardim repleto de esculturas, obviamente, com temas esportivos. Muitas obras sem retratar uma pessoa específica, focando mesmo na modalidade esportiva, mas algumas homenagens são mais que justas.

Foto: Fernando Andrade

Estátua de Emil Zátopek, considerado o maior corredor de longa distância de todos os tempos.

É o caso, por exemplo, da escultura do tcheco Emil Zátopek, a “Locomotiva Humana”, ganhador de cinco medalhas olímpicas, sendo quatro de ouro e uma de prata. Com destaque para os jogos olímpicos de Helsinque, em 1952, se tornando a única pessoa, até hoje, a conquistar medalhas de ouro nas provas de 5 mil metros, 10 mil metros e na maratona (pouco mais de 42km).

Outra justa homenagem é feita pela escultura do idealizador dos jogos olímpicos da modernidade, Barão Pierre de Coubertin, de frente para uma pira com a chama olímpica acesa, além dos arcos olímpicos e o lema que entitula essa postagem.

Foto: Fernando Andrade

A pira, com a chama olímpica, contornada pelos arcos e com o lema “Citius, Altius, Fortius”. Ao fundo, como se observasse seu legado, a estátua do Barão Pierre de Coubertin.

Logo na entrada do museu, uma lojinha e a bilheteria, junto ao caixa da loja. Lá, você também pode comprar uma ficha para um armário ou, se preferir, pode usar uma moeda de um Euro. Os armários têm nomes de alguns dos maiores atletas olímpicos de todos os tempos, com as cores das medalhas conquistadas por cada um deles.

Parte 1 (Primeiro Andar) – Mundo Olímpico

A exposição permanente, como não poderia deixar de ser, começa com um pouco da história dos jogos que eram disputados na Grécia antiga. São projeções, maquetes, painéis interativos e réplicas de artefatos, mostrando como eram os jogos, os esportes que eram praticados e todos os rituais e cerimônias que envolviam as disputas.

Foto: Fernando Andrade

Logo na entrada da exposição permanente, uma projeção em 180 graus mostra como eram os jogos realizados na Grécia Antiga. As atividades eram cercadas de muita cerimônia e adoração aos deuses.

Depois, entramos em exposições sobre a vida do Barão Pierre de Coubertin. São objetos que pertenciam a ele, um pouco da história de sua vida e, ainda, relatos de seu envolvimento com o esporte.

Você pode ler cartas e documentos, ver fotos, artigos e muito mais coisas que ajudem a entender a concepção dos jogos. Também é legal ver que ele não tinha só um envolvimento teórico, já que ele foi praticante de dois esportes considerados muito nobres, principalmente naquela época: esgrima e boxe, do qual também sou adepto.

Foto: Fernando Andrade

Par de luvas que pertenceu ao Barão Pierre de Coubertin, idealizador dos jogos olímpicos modernos.

Uma curiosidade sobre Pierre de Coubertin é que, após sua morte, seu corpo foi enterrado em Lausanne, onde fica o museu e a sede do Comitê Olímpico Internacional, mas seu coração foi sepultado na Grécia, em Olímpia, em um monumento de mármore que celebra o ressurgimento dos jogos olímpicos.

Há, ainda, a primeira bandeira olímpica, datada de 1913 (apesar de aparecer a escritura de “Alexandria, 5 de abril de 1914”).

Foto: Fernando Andrade

Das mais belas e simples às mais tecnológicas e modernas, a galeria das tochas olímpicas mostra a evolução de um dos mais tradicionais rituais olímpicos.

Depois disso, passamos a artefatos relacionados às edições dos jogos olímpicos. Algumas das coisas mais legais, na minha opinião, são a galeria das tochas olímpicas, mostrando a evolução ano a ano. Como elas passaram de algo simples e, meramente, simbólico, até atingir traços modernos e utilizar alta tecnologia, mantendo a chama olímpica acesa sob quaisquer circustâncias, mesmo submersa em água.

Foto: Fernando Andrade

Populares entre o público dos jogos, os mascotes têm destaque na exposição sobre o mundo olímpico. No canto inferior esquerdo, o urso Micha emocionou o mundo ao chorar na abertura da Olimpíada de Moscou.

Dentro de uma vitrine, os mascotes olímpicos também fazem sucesso entre os visitantes. Todos os mascotes estão presentes, mas, provavelmente, os mais famosos são a Águia Sam, criada por Walt Disney, para os jogos olímpicos de Los Angeles, em 1984, e o ursinho Micha, que emocionou o mundo, quatro anos antes, ao chorar na abertura dos jogos de Moscou, em 1980. Os dois se tonaram fortes símbolos, pelo momento político em que o mundo se encontrava, com a “Guerra Fria”.

Foto: Fernando Andrade

Maquete do Estádio Nacional de Pequim, construído para os jogos de 2008 e um dos mais modernos do planeta. Por seu desenho peculiar, ganhou o apelido de “Ninho do Pássaro”.

Ainda há uma área com maquetes de estádios que fizeram história, como o Ninho do Pássaro e a “Bolha D’Água”, ambos de Pequim, e de produtos licenciados com mascotes e marcas olímpicas, de diversos anos. Entretanto, acho que o que mais me chamou atenção foram os painéis interativos, em que você pode selecionar um ano e entender como foram os jogos, fazendo, ainda, um paralelo com o momento histórico e político vivido pelo nosso mundo. Se visitarem, chamo atenção para os jogos de Berlim, Los Angeles e Moscou.

Foto: Fernando Andrade

No painel interativo, os visitantes podem escolher qualquer edição olímpica, para saber o que aconteceu nos jogos e entender os momentos histórico e político vividos no planeta.

Parte 2 (Andar Térreo) – Jogos Olímpicos

Descendo um andar, a exposição passa a ser focada nos esportes, nos Jogos Olímpicos, propriamente ditos.

São uniformes e equipamentos de modalidades disputadas atualmente e que já saíram das disputas, como o meu amado beisebol. Principalmente para quem nunca teve a oportunidade de assistir a uma Olimpíada ou, pelo menos, um Pan, é bem legal ver de perto coisas que, normalmente, só vemos pela TV. Mesmo para quem já teve a chance, como eu, que já tinha visto muitas dessas coisas de perto, é tudo bem interessante.

Foto: Fernando Andrade

Trenó para duas pessoas da década de 1920, utilizado pela equipe suíça de bobsled. A primeira edição das Olimpíadas de Inverno aconteceu em 1924, em Chamonix, nos Alpes Franceses.

É muito legal, também, poder ver artigos autografados e outras coisas de valor inestimável para quem é fã de esportes. Ah! O salão é dividido. De um lado, Jogos Olímpicos de Inverno, com seus trenós, patins e esquis. Do outro, os Jogos Olímpicos de Verão, como os que acontecem esse ano, aqui no Rio, com bolas de vôlei, uniformes de futebol e de outros esportes mais populares entre os brasileiros.

Foto: Fernando Andrade

Bola autografada pela seleção brasileira feminina de vôlei. O time comandado por Bernardinho ficou com a medalha de ouro nos jogos olímpicos de Londres, em 2012.

No fundo do salão, entre as duas versões olímpicas, outras competições são destacadas, como os Jogos Olímpicos da Juventude e os Jogos Paralímpicos.

No centro, uma sala de projeção, com tela em 180º, mostra um pouco do esforço dos atletas, no filme “Inside the Race” (Dentro da Corrida).

Parte 3 (Subsolo) – Espírito Olímpico

Nessa exposição, o grande destaque é a vida nas vilas olímpicas. Logo que você chega ao andar, encontra baús com artigos que pertenceram a atletas, além de telas em que atletas de vários países te saúdam e te desejam, cada um em sua língua, as boas vindas à Vila Olímpica. E tem brasileiros, como o ex-jogador de vôlei Bernard.

Essa parte da exposição mostra como são os treinamentos, a alimentação, a descontração e toda a tecnologia disponível para os atletas ao longo do ano. No teto, as bandeiras de cada país filiado ao Comitê Olímpico Internacional.

Foto: Fernando Andrade

Durante cerca de 15 dias, atletas de todos os países convivem nas Vilas Olímpicas, que, durante os jogos, é considerado território neutro.

Ainda encontramos curiosidades sobre as vilas olímpicas desde que foram instituídas, cardápios, credenciais e muito mais. Nesse andar, encontramos peças que mostram ainda como os jogos estão evoluídos, com equipamentos modernos, como bicicletas e trenós de última geração.

Antes de chegarmos ao fim, uma área destinada a patrocinadores e empresas de comunicação parceiras, como a Globo e a Record, e mais uma área interativa, como um jogo/equipamento, para testar e desenvolver reflexo e coordenação. Para nós é uma grande brincadeira, mas o equipamento também é utilizado por atletas profissionais.

Você não sentiu falta de nada? Claro que o objetivo final, por mais que exista aquele discurso de que o importante é competir, é ganhar uma medalha, subir no pódio! E é isso que você encontra para fechar seu passeio pela exposição permanente. As medalhas de todos as edições dos jogos olímpicos estão ali. É muito legal ver a evolução de cada edição, como elas foram ganhando formatos e personalidades diferentes.

Depois das medalhas, é só subir no degrau mais alto do pódio e se sentir um atleta de elite!

O craque, no alto do pódio, e a emoção de ouvir o hino nacional: "Vamos todos cantar de coração...".

O craque, no alto do pódio, e a emoção de ouvir o hino nacional: “Vamos todos cantar de coração…”.

Para ser honesto, eu só senti falta de uma coisa. Acho que deveria haver uma galeria dedicada aos ganhadores da Medalha Pierre de Coubertin, a maior honraria olímpica que uma pessoa pode ganhar. Essa medalha, para quem não conhece, não é dada aos ganhadores de alguma prova, não depende de desempenho técnico. É um reconhecimento ao espírito olímpico, é dada a pessoas que demonstrem o olimpismo em sua mais pura forma.

Um exemplo de ganhador é o do brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima que, após liderar a maratona dos jogos olímpicos de Atenas, em 2004, foi atacado nos últimos quilômetros, com uma distância que, para muitos especialistas, garantiria sua medalha de ouro. Vanderlei acabou perdendo duas posições e ficando com o bronze, mas, ainda assim, comemorou muito a conquista.

Eu não estou falando que não tenha, mas eu não vi. E procurei bem.

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E sobre os jogos do Rio, Nando? Não vai falar nada?

No dia seguinte ao que saímos da Suíça, o museu lançou a exposição em homenagem ao Rio. Eu até fui convidado pela assessoria de comunicação, mas não pude ir. De qualquer forma, vou falar um pouco sobre a exposição “Destination Rio”.

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A exposição, que começou no dia 10 de fevereiro, vai até 25 de setembro desse ano. E o melhor de tudo, a entrada é gratuita, enquanto a visita à exposição permanente é cobrada (18 Francos Suíços, adultos).

Já no Parque Olímpico, nome oficial do jardim com esculturas, que eu citei no início, muitas curiosidades sobre o nosso país, nossa cultura, nossa culinária e nosso esporte. Essa parte, pelo menos, eu ainda consegui ver, pois já estava montada.

Foto: Fernando Andrade

Em homenagem aos Jogos Olímpicos Rio 2016, painéis contam curiosidades sobre esportistas brasileiros, como Garrincha, e hábitos do país, como a cervejinha de sexta, o churrasco de sábado e o futebol de domingo.

Na galeria que fica no segundo andar, a exposição “Destination Rio: The Games”. Como o nome já diz, fala sobre a realização dos jogos olímpicos do Rio. Conta sobre a organização do evento, sobre os esportes do programa olímpico desse ano, sobre os atletas e todo o legado que espera-se que fique para a cidade.

No espaço Focus, que fica no primeiro andar, a exibição é “Destination Rio: Rhythms and Diversity”. A cultura brasileira é contada através da música, da dança, dos festivais populares e dos esportes. Uma imersão total no movimento do Brasil, focando na arte contemporânea e na fotografia.

18.12.2006 - Ivo Gonzalez - ri - Movimento nas Praias da Zona Sul.

18.12.2006 – Ivo Gonzalez – ri – Movimento nas Praias da Zona Sul.

Além das exposições, o Museu Olímpico vai receber eventos em homenagem ao Rio e ao Brasil. Em fevereiro, por exemplo, a Estação Primeira de Mangueira, campeã do carnaval desse ano, fez apresentações por lá. No dia 25 de junho, uma grande mostra de filmes brasileiros e workshops de capoeira e de samba de gafieira. Em julho, no dia 10, acontece a final do Campeonato Europeu de Capoeira e a exibição do documentário “A Batalha do Passinho”, de Emílio Domingos.

E, como não poderia ser diferente, de 5 a 21 de agosto, eles exibem os XXXI Jogos Olímpicos, os jogos Rio 2016!

Para saber mais sobre a programação do museu e a mostra “Destination Rio”, visite o site oficial do Museu Olímpico (clicando aqui).

Serviço:
O horário de funcionamento do museu varia de acordo com a época do ano, confira no site deles.

Preços*:
Adultos – CHF 18,00
Crianças (6 a 16 anos) – CHF 10,00
Idosos – CHF 16,00
Estudantes e portadores de necessidades especiais – CHF 12,00
Famílias (dois adultos e suas crianças de 6 a 16 anos) – CHF 40,00
*Apesar de os preços serem em Francos Suíços, eles também aceitam cédulas de Euros, com a cotação de um Franco para um Euro. O troco, entretanto, será dado em Francos Suíços.

 

Agradeço ao pessoal da assessoria de comunicação e relações públicas do Museu Olímpico e do Comitê Olímpico Internacional pelos convites!

Sobre as fotos:
– Todas as imagens que não estão com a logo do blog no canto inferior direito foram cedidas pelo Museu Olímpico e possuem seus direitos autorais e de utilização ligados ao museu e ao COI.

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